Você sabia que hoje é o Dia Nacional de Controle da Asma? Como sabemos, as doenças crônicas estão cada vez mais presentes na sociedade. Entre as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), existem as Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC), também conhecidas como Enfisema ou Bronquite Crônica, muito caracterizadas pela inalação de fumaça química, sendo comum entre os fumantes. Além delas, o Sars-Cov-2 (Covid-19) é outra doença que, apesar das diferentes opções de vacinas, ainda há necessidade de encontrarmos novas soluções de tratamento e recuperação da doença. Por isso, no texto de hoje, vamos falar sobre o uso de células-tronco no tratamento de doenças pulmonares, e listar alguns ensaios clínicos, inclusive da R-Crio, sobre essa forma de terapia com células-tronco. Segue com a gente! 

Células-tronco no tratamento de doenças pulmonares.

As células-tronco no tratamento de doenças pulmonares podem agir de duas maneiras: a primeira é controlando a inflamação do tecido pulmonar. Sabe-se que as células-tronco mesenquimais possuem ação anti-inflamatória. Por isso, em doenças em que a inflamação do tecido pulmonar é grave, como no caso do Covid-19, essas forma de uso é extremamente promissora. Curiosamente, as células-tronco têm afinidade por tecido inflamado e se movem automaticamente para esses locais. Além disso, em especial, ela tem facilidade para se mover para o tecido pulmonar. A segunda forma de uso seria promover a regeneração do tecido pulmonar por meio da criação de células específicas dos alvéolos pulmonares.

Casos de sucesso de uso de células-tronco para doenças pulmonares

Cientistas do mundo todo buscam soluções para o tratamento das doenças pulmonares obstrutivas crônicas, e as células-tronco aparecem de diferentes formas nesses tratamentos.

Asma e células-tronco

A asma é uma doença respiratória crônica que afeta pelo menos 300 milhões de pessoas em todo o mundo e é responsável por cerca de 250 mil mortes anuais. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, apenas no Brasil existem aproximadamente 20 milhões de asmáticos, sendo essa entre a terceira e a quarta causa de hospitalizações pelo SUS, levando a, em média, 350 mil internações anualmente.

Cientistas da Monash University, na Austrália, trabalharam em um estudo pré-clínico (ainda não envolvendo pessoas) e tiveram resultados positivos. Os cientistas administraram as células-tronco mesenquimais de forma intravenosa ou intranasal em ratos que possuíam a características da asma. Como resultado, os pesquisadores conseguiram reduzir a inflamação, reverter sinais de remodelamento das vias aéreas e normalizar a fibrose das vias aéreas e dos pulmões e a hiperresponsividade das vias aéreas. O benefício máximo na fibrose e hiperresponsividade das vias aéreas foi observado por meio da administração intranasal.

Os consultores científicos que escreveram esse relato no Blog Tudo Sobre Células-tronco comentam que esse é um grande avanço, pois, diferente de resultados anteriores, dessa vez, os efeitos benéficos foram obtidos somente por meio da terapia celular, sem associação de terapias auxiliares.

Covid-19 e células-tronco

Outro caso que estamos acompanhando de perto é o uso de células-tronco para tratamento do Covid-19. A R-Crio já está com um estudo clínico submetido à Anvisa para avaliar a segurança e eficácia dessa forma de tratamento. Você pode conferir a publicação do nosso estudo no REBEC, plataforma oficial do Governo Federal para submissão de ensaios clínicos.

Nesse caso, estamos procurando utilizar as células-tronco não para regenerar o tecido pulmonar, mas para controlar a resposta inflamatória exacerbada que contribui para o agravamento da doença, funcionando como um anti-inflamatório natural do organismo. Além disso, para essa utilização, pode-se utilizar células-tronco de doadores, pois não há transmissão de carga genética nessa terapia.

No estudo clínico da R-Crio será composto de 24 pacientes em estágio moderado da doença, de acordo com o entendimento do Ministério da Saúde. Serão utilizadas células-tronco da polpa do dente de leite de 24 doadores saudáveis, seguindo um protocolo de infusão de quatro sessões. Os participantes receberão placebos, e o estudo é caracterizado como duplo-cego, quando nem os pacientes e nem os pesquisadores sabem quem está recebendo a terapia celular ou o placebo.

O SBT Brasil veio até a R-Crio no final de 2020 para entender um pouco mais sobre nossa proposta de terapia. Veja abaixo.

 

TEMCELL®: Terapia Celular aprovada no Japão para doenças pulmonares.

O TEMCELL® é uma terapia celular avançada já aprovada no Japão desde 2015 pelo PMDA (Pharmaceuticals and Medical Devices Agency), órgão regulatório do país, como a Anvisa no Brasil. Ela foi desenvolvida pela empresa JCR Pharmaceuticals Co.

A terapia celular foi originalmente desenvolvida para tratar a Doença do Enxerto Contra Hospedeiro, causada após transplantes de medula óssea. O tratamento padrão utiliza corticoides. De acordo com a publicação oficial do PMDA no momento da aprovação da terapia celular, o uso de células-tronco mesenquimais reduziu a ativação de “T-Cells”, e, com isso, suprimiu respostas autoimunes e viabilizou produção de fatores anti-inflamatórios.

Hoje, de acordo com o site Alliance For Regenerative Medicine (Aliança pela Medicina Regenerativa), o TEMCELL® já é autorizado para uso em casos de injúria aguda por radiação, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença de Crohn, doença do enxerto contra hospedeiro, diabetes tipo 1 e infarto do miocárdio. Ela é aprovada integralmente pelo governo japonês, e condicionalmente aprovada no Canadá e Nova Zelândia (conhecida por lá como Prochymal®).

Os trabalhos da Doutora Patrícia Rocco.

Em 2018, durante a XXXIII Reunião Anual da FeSBE (Federação de Sociedades de Biologia Experimental), a Dra. Patrícia Rieken Macêdo Rocco apresentou sua abordagem para tratamento para enfisema pulmonar com células-tronco. A doutora é Professora titular da UFRJ, chefe do Laboratório de Investigação Pulmonar ligado à universidade, e membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Ciências, segundo a matéria da G1 Bem-Estar de 2018. O projeto da doutora começou em 2009 quando começou a estudar com um pequeno grupo de pacientes que sofriam de silicose. Essa é uma doença degenerativa bastante frequente em quem trabalha com jatos de areia. Em 2015 foi a vez de pessoas com asma se beneficiarem do tratamento. Segundo a publicação do G1, citando a fala da doutora, “os pacientes diminuíam significativamente a quantidade de medicamentos, como corticoides, que tinham que tomar”.

E foi em 2018 que a doutora comentou que estava buscando o tratamento para enfisema pulmonar. No caso, o enfisema heterogêneo, que não acomete o pulmão igualmente. A abordagem convencional é uma cirurgia redutora para tirar parte do pulmão. Graças a uma parceria entre a UFRJ e a UFRGS, foi possível colocar válvulas endobrônquicas, via broncoscopia, e a terapia com células-tronco mesenquimais. A doutora comenta que é comum esses pacientes apresentarem colônias de bactérias e por isso também pré-disposições para infecções. As células-tronco mesenquimais possuem uma grande capacidade anti-inflamatória e bactericida, potencializando o efeito das válvulas. A doutora conclui que é emocionante ver uma grande mudança na qualidade de vida dos pacientes, como dispensar o oxigênio, ou tomar banho sozinho.

Armazene células-tronco.

Gostou do texto de hoje? Essa é mais uma perspectiva de uso das células-tronco em tratamentos de saúde, os quais podem melhorar – e muito – a qualidade de vida. Continue lendo nossos textos e pense nessa forma de prevenção para a saúde de sua família. Segunda que vem tem outro texto! 😉