Não é novidade para ninguém a grande versatilidade das células-tronco: elas são células que podem regenerar o corpo, controlar inflamações, ser plataformas de estudos de doenças, e até mesmo estão sendo usadas para criação de alimentos dentro de laboratório! Essas diferentes possibilidades fazem com que diversas áreas médicas estimem o uso de células-tronco em suas práticas recorrentes, auxiliando assim a promover mais saúde com qualidade de vida para seus pacientes.

1- Cirurgia Plástica

A cirurgia plástica é uma das áreas médicas que mais podem se aproveitar do uso de células-tronco. Isso por dois motivos: o cirurgião plástico pode coletar o tecido adiposo do paciente, fonte rica em células-tronco mesenquimais. Além disso, o profissional poderá utilizar as células-tronco de diferentes formas, por exemplo realizar enxertos de gordura enriquecidos com células-tronco, promover a regeneração da pele e tratar cicatrizes. Em um texto de nosso blog fizemos uma entrevista com um cirurgião plástico sobre os usos de células-tronco na cirurgia plástica.

Especificamente, cirurgias de aumento ou reconstrução de mamas é o procedimento estético mais comum no mundo. Porém, hoje se utiliza enxertos de gordura ao invés de silicone, uma forma de utilizar um produto natural do nosso próprio corpo. Esses enxertos, apesar de serem mais saudáveis, não são retidos completamente pelo corpo, e após um tempo do procedimento, somente 25% a 80% do enxerto permanece no local. Dessa forma, em um estudo realizado com 12 participantes, descobriu-se que as mulheres que tiveram um enxerto de gordura enriquecido com células-tronco tiveram um aumento de mama de 2,6 vezes o tamanho original, e retenção do enxerto de 80,2%, enquanto as mulheres que não tiveram o enxerto enriquecido tiveram um aumento de 1,57 vezes e retenção de 45,1%. Você pode ver mais detalhes aqui.

2- Endocrinologia

Provavelmente é difícil de encontrar um endocrinologista que nunca ouviu falar sobre uso de células-tronco em sua área médica. As células-tronco podem ser destacadas de duas formas aqui: para controle e produção de insulina para diabéticos, e para tratamentos da Doença de Crohn e de fístulas causadas pela doença.

A Doença de Crohn é uma condição muito estimada para ser tratada com células-tronco. Já falamos sobre o Cupistem®, uma terapia com células-tronco da Coréia do Sul para tratar fístulas causadas pela doença. Além dessa forma de uso, as células-tronco podem ser usadas para controle da inflamação. A Doença de Crohn é uma doença imunológica. Ela é caracterizada pela inflamação crônica no trato intestinal causada pelo ataque do sistema imune. Para tratar a inflamação, e para isso também tratar o sistema imune, pesquisadores buscam “reiniciar” o sistema imune por meio de quimioterapia, e infundir células-tronco, esperando assim retomar a função correta do sistema imunológico.

Diabetes Tipo 1 e Tipo 2

Primeiramente, para tratamento de diabetes com células-tronco, vamos separar os dois tipos da doença: Diabetes Tipo 1 e Diabetes Tipo 2. O Diabetes Tipo 1, mais comum em jovens, é quando há um problema imunológico, e o próprio corpo destrói as células produtoras de insulina. Cientistas da USP de Ribeirão Preto promoveram um “reset” no sistema imunológico e implantaram células-tronco novas, esperando que as novas células não tenham o mesmo comportamento de destruir as produtoras de insulina. O resultado foi que, dos 25 pacientes submetidos ao tratamento, 21 pararam de usar insulina em algum momento, e 3 pacientes pararam de usar por mais de 7 anos (até a data da publicação da matéria), e os outros 18 pacientes voltaram a usar uma dose reduzida. Esse estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Diabetes teve início em 2003. Não temos informações mais recentes dos resultados.

diabetes e células-tronco

A Diabetes Tipo 2 é mais comum em adultos, e causada principalmente por pré-disposição genética e maus hábitos, como obesidade, tabagismo e sedentarismo. Como resultado, isso desencadeia na deficiência de secreção de insulina pelo pâncreas e/ou na resistência à insulina. Por conta do potencial anti-inflamatório das células-tronco mesenquimais, cientistas da USP de Ribeirão Preto buscaram avaliar se essas células são capazes de reduzir a resistência insulínica e possivelmente ainda regenerar as células produtoras de insulina (chamadas de células beta). Nesse estudo, após três anos de avaliação, cerca de 40% dos pacientes ficaram livres de insulina, conforme relatado no site da Sociedade Brasileira de Diabetes.

3- Oftalmologia

A oftalmologia é uma das áreas com maiores avanços com tratamentos com células-tronco. Ao redor do mundo, diferentes clínicas já realizam terapias com células-tronco para diferentes condições oftalmológicas. A terapia mais conhecida é chamada de Holoclar®, da empresa italiana Chiesi Farmaceutici®. Esse tratamento utiliza células-tronco límbicas para regenerar o epitélio da córnea e restaurar a acuidade visual. Visite o site da European Medicines Agency (EMA) para mais informações.

Nos EUA, um tratamento também está sendo desenvolvido. De acordo com o site Tudo Sobre Células-tronco, pesquisadores do Massachusetts Eye and Ear, hospital localizado em Boston, substituíram a superfície ocular de quatro pacientes que sofreram queimaduras químicas. Eles utilizaram células-tronco epiteliais límbicas retiradas do olho saudável do paciente. Essas células são cultivadas em laboratório, multiplicadas e, quando em quantidade suficiente para formar uma película, transplantadas para o olho do paciente. Dos 4 pacientes, somente 1 não conseguiu ter suas células-tronco multiplicadas suficientemente, mas após uma segunda coleta houve êxito. Como resultado, os quatro pacientes deixaram de sentir dores após uma semana do procedimento. Agora em 2021 os médicos irão fazer mais pesquisas e acompanhar os resultados desse grupo inicial. Por fim, eles completam que ainda não sabem avaliar se o transplante de células-tronco seria uma forma de tratamento, ou um pré-tratamento para posteriormente realizar um transplante de córnea.

4- Ortopedia

Se você leu nosso texto da semana passada já deve estar sabendo das formas de uso das células-tronco nessa área da medicina. O uso das células-tronco na ortopedia, principalmente na medicina do esporte, é grandioso, e já atraiu a atenção de diversos atletas e clubes brasileiros.

As células-tronco mesenquimais possuem a capacidade de controlar a resposta inflamatória, regulando a atividade do sistema imune. Nesse sentido, para casos de inflamação nos joelhos, muito comum em atletas, as células-tronco podem ser uma excelente alternativa para controle da dor. O Cupistem®, desenvolvido pela empresa Anterogen®, e já mencionado nesse texto, também é indicado para regeneração de tecido da cartilagem e controle da dor, utilizando células-tronco do tecido adiposo de pacientes que armazenaram previamente.

áreas médicas uso de células-tronco

De acordo com o Dr. Tiago Lazzaretti, cirurgião ortopédico, em entrevista para o Jornal Estado de Minas, as células-tronco possuem a capacidade de controlar a inflamação e a dor do paciente, além de que podem ajudar a estimular a regeneração da cartilagem. O doutor complementa que lesões nas cartilagens e problemas no joelhos já não é mais exclusivo de atletas profissionais. Essas lesões se acumulam ao longo dos anos, e podem desenvolver artrite ou artrose da articulação, problemas sem cura atualmente.

5- Neurologia

A neurologia é outra área médica que possui resultados surpreendentes com células-tronco. Já falamos muito sobre as células-tronco para tratamento de doenças degenerativas, muitas causadas justamente pelo envelhecimento e mal funcionamento das células do corpo. Entre essas doenças está o Mal de Alzheimer.

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo. Acredita-se que ele é causado principalmente por duas proteínas: beta-amiloide e tau. As pessoas com Alzheimer tem a produção descontrolada dessa proteína, o que causa a morte de neurônios no local. Ainda, estudos também relacionam a progressão da doença com o processo inflamatório. Como publicado no portal Tudo Sobre Células-tronco, as células-tronco mesenquimais podem desempenhar três funções diferentes para tratamento da doença: 1 – Elas possuem ação anti-inflamatória, e podem migrar automaticamente para locais inflamados; 2 – Elas podem funcionar como veículos de transporte para medicamentos, justamente pela capacidade de migrar para tecidos onde há processo de inflamação e; 3- Elas podem liberar substâncias que restauram o funcionamento cerebral.

Alzheimer e Células-tronco

Umas pesquisa da Universidade de Milano-Bicocca, liderada pela Dra. Sílvia Coco, desenvolveu uma abordagem utilizando Vesículas Extracelulares de Células-tronco mesenquimais. Essa vesículas são pequenas “bolsas” secretadas pelas células-tronco mesenquimais, e podem controlar a resposta inflamatória do corpo. Diversos estudos já utilizaram essa abordagem no Alzheimer com aplicações intravenosas. A Dra. Coco, porém, fez a administração via nasal buscando os mesmos resultados. A aplicação foi feita em camundongos geneticamente alterados para apresentar sintomas comuns da doença.

Segundo a doutora, o aspecto mais marcante do estudo é que as injeções intranasais aumentaram a densidade de estruturas cerebrais chamadas de espinhas dendrídicas, responsáveis pela resiliência cognitiva (capacidade do cérebro de resistir a deterioração causada pelo Alzheimer). O mais marcante é que o resultado foi alcançado somente com duas infusões intranasais. Talvez isso tenha ocorrido pois as injeções podem alcançar níveis mais altos no cérebro do que quando realizadas por outro método. Por fim, Dr. Anthony Atala, editor-chefe da revista onde os resultados foram publicados, comenta que os resultados desse estudo apresenta excelentes oportunidades para potenciais de terapias e realização de ensaios clínicos em humanos.

Áreas médicas que fazem uso de células-tronco

Além das áreas acima, diversas outras áreas médicas fazem uso de células-tronco para tratamentos de saúde. A oncologia, odontologia, dermatologia, clínica estética e cardiologia são outras áreas que as células-tronco já apresentaram diversos resultados promissores, e os desenvolvimentos de terapias estão avançados. Em um próximo texto falaremos dessas áreas médicas e as formas de tratamentos com células-tronco.

Por hoje é só. Se você gostou desse texto, não deixe de compartilhar com seus médicos e familiares para eles também conhecerem sobre os potenciais das células-tronco na saúde.

Como sempre, a R-Crio está a sua disposição para mais informações sobre nossa forma de coleta e armazenamento de células-tronco mesenquimais.

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