Longevidade com qualidade de vida é um tema que se estende já a centenas de anos. A busca pelo “elixir da vida” foi ilustrada em inúmeras obras de ficção, e muitos reis, faraós e imperadores dedicaram suas vidas – e de outros – para encontrar a fonte da juventude.

Mas, se faraós e antigos reis estivessem em 2021 junto conosco, pode ser que eles ficariam bem satisfeitos com a longevidade atual, e teriam um gostinho da tão sonhada imortalidade. E não é por menos.

No século passado, em 1940, a expectativa de vida do brasileiro era de somente 50 anos. Hoje já chegamos em torno dos 80 anos. É um grande avanço para pouco tempo.

Mas devemos repensar: de que adianta vivermos quase um século, mas sem qualidade de vida?

Os 60, 70 anos chegam com mais frequência para toda população e já ouvimos por aí que “os 50 são os novos 30”. Mas até que ponto isso é verdade?

Adicionando vida aos nossos anos, não só anos em nossas vidas.

Muito do significativo aumento da expectativa de vida observado ao longo do último século se deve à descoberta de medicamentos e introdução de medidas de saneamento básico. As doenças infectocontagiosas foram vencidas com a vinda da penicilina, e controles de pragas e o conceito da higiene básica só agregou mais anos às nossas vidas.

Mas devemos adicionar vida aos nossos anos também. Em consequência do aumento da expectativa de vida as doenças degenerativas passaram a ter maior impacto nas causas de mortes. Doenças cardíacas e cânceres lideram essa lista.

Nesse contexto, profissionais da saúde já enxergam diferentes módulos de atuação para a construção de um caminho seguro, buscando alcançar o binômio da longevidade associada à qualidade de vida. Alimentação, exercícios físicos e saúde mental são alguns exemplos.

Células-tronco: as peças de reposição do organismo.

Da mesma forma, o armazenamento de células-tronco também é uma forma de garantir seu acesso à qualidade de vida. Espalhados pelo mundo, os laboratórios de criopreservação de células-tronco oferecem a possibilidade das pessoas congelarem suas células-tronco para utilizarem futuramente como “peças de reposição”.

As células-tronco mesenquimais coletadas por meio da polpa dentária, tecido adiposo e também periósteo do palato, podem ser criopreservadas para serem diferenciadas em células de órgãos e tecidos do corpo, dessa forma, garantindo às pessoas uma matéria-prima valiosa para sua vida.

O raciocínio é bem simples. Então, se esperamos viver 80, 100 anos de idade, podemos manter uma célula “coringa” de nosso corpo armazenada por décadas, mas com a idade biológica do momento que coletamos.

Assim, um indivíduo que coletou suas células-tronco pelo dente de leite com 7 anos de idade terá suas próprias células da infância guardadas para usar quando tiver 80 anos, otimizando um tratamento que venha a ser necessário. O mesmo vale para adultos que coletaram com 40, 50 anos.

Lembre-se de que as células-tronco são as células responsáveis por formar nossos tecidos e órgãos, podendo se diferenciar em células de pele, coração, ossos, cartilagem, tecido nervoso, células beta do pâncreas (produtoras de insulina), músculos, vasos sanguíneos, entre outros tipos.

A qualidade de vida ao nosso alcance.

É comum que algumas pessoas olhem com desconfiança nesse tipo de terapia, acreditando ser algo inalcançável, financeiramente e cientificamente. Mas a realidade é bem diferente.

Em 2020 a Anvisa já reconheceu a realização de terapias celulares avançadas no país. Ela se baseou em regulamentações do FDA, EMA e PMDA, dos EUA, Europa e Japão, respectivamente. A RDC 338/2020 prevê o registro de produtos de terapias avançadas utilizando células humanas, incluindo células-tronco. Essa regulamentação sucede outras duas, a RDC 214/2018 e RDC 260/2018, as quais dão base para manipulação celular e ensaios clínicos utilizando células-tronco.

Grandes players da indústria, como Bayer e Novartis, já estão entrando no mercado de células-tronco. Por exemplo, a Bayer desenvolveu uma plataforma chamada de “Cell & Gene Therapy Platform” em sua divisão farmacêutica.

E o que precisamos para mais longevidade com qualidade de vida?

Primeiramente, precisamos de atenção aos detalhes do nosso cotidiano. Nossos hábitos de hoje vão nos guiar para uma vida longa com mais qualidade? Exercícios físicos de alto impacto, alimentos práticos e uso abusivo de telas de computadores e celulares são alguns exemplos de hábitos que ainda não temos nenhum histórico, e por isso é difícil prever os impactos na saúde da população.

Ainda, o avanço da tecnologia nos traz novas perspectivas, não somente digitais, mas também possibilitam uma melhor compreensão da biologia unida com a medicina.

O uso de células-tronco na saúde, visando a realização de terapias celulares regenerativas, abre novas perspectivas para a saúde e para toda classe médica, possibilitando que adultos e crianças tenham suas células congeladas para utilizarem quando e onde quiserem, inclusive no Brasil.

O futuro da saúde é brilhante, e diferente do que muitos pensam, esse futuro já chegou. Portanto, hoje já não é preciso ser um faraó para sonhar em uma vida longa. Basta termos ciência de que a velhice eventualmente vai chegar, para nós e para nossos filhos, e por isso devemos tomar medidas hoje que nos preparam para uma vida mais longeva e também com mais qualidade.